Hormônios e saúde cardiovascular: entenda a relação

Quando se trata da saúde do coração, os hormônios desempenham um papel importante. Aliás, há uma grande relação entre hormônios e saúde cardiovascular, que pouca gente sabe.

Na verdade, a maneira como os hormônios agem no seu corpo vão além da libido. Eles impactam diretamente em todo sistema cardiovascular, como coração e vasos sanguíneos. O que isto significa? Quando estão funcionando corretamente, podem ajudar a prevenir doenças cardíacas. Quando estão desequilibrados, podem causar problemas.

Quais são os efeitos dos hormônios no coração? O desequilíbrio hormonal pode ser sério o suficiente para levar a problemas cardiovasculares? Você corre um risco cardiometabólico maior devido a problemas hormonais ou outros e, em caso afirmativo, o que você pode fazer a respeito?

Para responder essas perguntas, preparei o artigo a seguir. Vamos conferir?

O que é a testosterona?

A testosterona é produzida pelas gônadas (pelas células de Leydig nos testículos nos homens e pelos ovários nas mulheres). Embora pequenas quantidades também sejam produzidas pelas glândulas supra-renais em ambos os sexos. 

É um andrógeno, o que significa que estimula o desenvolvimento das características masculinas.

Presente em níveis muito maiores nos homens do que nas mulheres, a testosterona inicia o desenvolvimento dos órgãos reprodutores internos e externos masculinos durante o desenvolvimento fetal e é essencial para a produção de esperma na vida adulta. 

Esse hormônio também sinaliza ao corpo para produzir novas células sanguíneas, garante que os músculos e ossos permaneçam fortes durante e após a puberdade e aumenta a libido em homens e mulheres. 

A testosterona está ligada a muitas das mudanças observadas em meninos durante a puberdade (incluindo aumento na altura, crescimento do corpo e dos pelos pubianos, aumento do pênis, testículos e próstata, e mudanças no comportamento sexual e agressivo). 

Também regula a secreção do hormônio luteinizante e do hormônio folículo estimulante. Para efetuar essas mudanças, a testosterona é frequentemente convertida em outro andrógeno chamado diidrotestosterona

Nas mulheres, a testosterona é produzida pelos ovários e glândulas supra-renais. A maior parte da testosterona produzida no ovário é convertida no principal hormônio sexual feminino, o estradiol .

O que é o estrogênio?

Os ovários, que produzem os óvulos femininos, são a principal fonte de estrogênio do corpo. As glândulas supra-renais, localizadas na parte superior de cada rim, produzem pequenas quantidades desse hormônio, assim como o tecido adiposo. O estrogênio se move pelo sangue e atua em todas as partes do corpo.

O estrogênio é um dos dois principais hormônios sexuais das mulheres. O outro é a progesterona. O estrogênio é responsável pelas características físicas e reprodutivas femininas. Os homens também têm estrogênio, mas em quantidades menores.

O estrogênio ajuda a promover as mudanças físicas que transformam uma menina em mulher. Essa época da vida é chamada de puberdade . Essas mudanças incluem:

  • Crescimento dos seios
  • Crescimento de pelos pubianos e axilas
  • Início dos ciclos menstruais
  • O estrogênio ajuda a controlar o ciclo menstrual e é importante para a gravidez

O estrogênio também tem outras funções: 

  • Mantém o colesterol sob controle
  • Protege a saúde óssea de mulheres e homens
  • Afeta seu cérebro (incluindo humor), ossos, coração, pele e outros tecidos

E qual a relação entre hormônios e saúde cardiovascular?

Para falar dessa relação entre hormônios e saúde cardiovascular, precisamos falar sobre a terapia de reposição hormonal (TRH). E já quero deixar claro que, quando bem indicada, só trará benefícios, desde que feita de maneira adequada.

Infelizmente, ainda há um mito de que a TRH faz mal e aumenta risco de doença cardiovascular. Isso acontece porque os estudos que eram feitos até 2005 eram feitos com pré-hormônios, que nem eram hormônios de verdade, com drogas sintéticas e que eram dados por via oral. 

Isso causava uma primeira metabolização hepática, ou seja, no fígado. E essa primeira passagem no fígado aumentava muito as chances de um evento cardiovascular. 

Então, os estudos até 2005 realmente demonstravam que a terapia de reposição hormonal aumentavam as chances de doenças cardiovasculares em mulheres. Elas acabavam infartando mais, tinham mais AVC (acidente vascular cerebral), trombose, entre outros. 

Foi aí que se criou essa ligação entre os riscos de doenças cardiovasculares à terapia de reposição hormonal.

Mas como a ciência evoluiu muito de lá para cá, hoje no ano de 2021 estamos com estudos muito mais recentes. Neles, são usados hormônios bioidênticos, hormônios que são dados por via transdérmica, seja cutânea ou subcutânea — que são aqueles chips de implantes hormonais.

Novas tecnologias

E estudos com essas novas tecnologias comprovam que as mulheres não aumentam seus riscos de doenças cardiovasculares. Ao contrário, causam até mesmo um efeito cardioprotetor

Isso acontece porque quando a mulher entra na menopausa e cai muito o estradiol, que é o principal hormônio que protege a saúde cardiovascular da mulher, ela fica mais propensa a problemas cardiovasculares.

Porém, quando ela faz a reposição hormonal com hormônios bons, pela via correta que é a transdérmica, tem tudo para trazer benefícios. Ou seja, se você é mulher e está fazendo terapia de reposição hormonal com gel transdérmico, com implante hormonal que usa hormônios bioidênticos, fique tranquila. Não tenho a menor dúvida de que você está no caminho certo.

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E para os homens?

No caso dos homens é a mesma coisa. Se está na andropausa, com queda hormonal, queda da libido, é claro que a reposição hormonal com testosterona trará benefícios no longo prazo. Desde que seja feita de maneira correta!

E quando falamos em maneira correta, são doses adequadas, sem ultrapassar o limite do que chamamos de doses suprafisiológicas. Isso traz benefícios para seu sistema cardiovascular. 

Só fará mal quando o homem usa doses recreativas de testosterona, muito acima do que seu corpo precisa. Isso é comum com fisiculturistas que usam doses muito elevadas de hormônio para ganho de massa. 

Ou mesmo para aquele cidadão que vai até a academia e quer ganhar massa muscular rapidamente e acaba abusando da testosterona. Isso trará prejuízos à sua saúde cardiovascular.

Essas doses suprafisiológicas aumentam riscos de trombose ao promover:

  • Aumento da coagulabilidade sanguínea
  • Causa piora da função endotelial
  • Aumenta o risco de lesão do endotélio
  • Aumenta a pressão arterial
  • Favorece a oxidação dos lipídios do colesterol
  • Diminui o HDL (que é o colesterol “bom”)
  • Aumenta o LDL pequeno e denso que é mais facilmente oxidado

Ou seja, causa vários efeitos negativos do abuso da reposição hormonal além dos limites suprafisiológicos.

Cuide de você!

Por isso, quando seu médico indicar a terapia de reposição hormonal, pode ficar tranquilo. Mas certifique-se de que será feito pela via correta e na quantidade certa para seu corpo. Para isso, tire todas as suas dúvidas com o profissional e exponha seus medos.

Com a quantidade certa de hormônios no corpo, você se sentirá melhor e poderá ter também uma melhora na sua qualidade de vida. Se sentirá mais disposto e aproveitará cada instante da melhor forma possível.

Espero que tenha gostado do artigo sobre hormônios e saúde cardiovascular. E para compreender um pouco mais sobre doenças cardiovasculares, conheça um e-book que preparei especialmente sobre o tema. É só clicar no botão abaixo e fazer o download gratuitamente agora mesmo.