Saúde cardiovascular e intestinal estão conectadas, aponta estudo

Novas pesquisas na área médica estão evidenciando a ligação entre a saúde cardiovascular e intestinal. 

Tais estudos, como o conduzido pelos médicos Wilson Tang, Takeshi Kitai e Stanley L Hazen mostram uma relação sobre microbiota intestinal e doenças cardiovasculares.

E quando falamos em microbiota, o termo se refere aos trilhões de micróbios que vivem dentro de nossos corpos, conhecidos como microbiota humana. 

A grande maioria dessas bactérias, vírus e fungos habitam nas profundezas de nossos intestinos. 

Esses micróbios ajudam na digestão, produzem certos nutrientes e liberam substâncias que têm vários efeitos sobre a saúde, incluindo a cardiovascular.

Somos o que comemos

Há uma interação complexa entre os micróbios em nossos intestinos e a maioria dos sistemas em nossos corpos. Isso inclui os sistemas vascular, nervoso, endócrino e imunológico. 

Todas essas relações são altamente relevantes para a saúde cardiovascular.

Dessa forma, e como era de se esperar, o que comemos desempenha um papel importante na composição de nossa microbiota intestinal. 

E estamos aprendendo mais sobre como as substâncias que os micróbios do intestino produzem — os chamados metabólitos. 

E como eles influenciam nosso risco de muitas doenças crônicas, incluindo diabetes, doenças cardíacas e câncer.

Um dos mais conhecidos desses metabólitos intestinais, chamado trimetilamina (TMA), se forma quando micróbios intestinais se alimentam de colina, um nutriente encontrado na carne vermelha, peixes, aves e ovos. 

No fígado, o TMA é convertido em N-óxido de trimetilamina (TMAO), uma substância fortemente ligada à formação de placa de obstrução arterial (aterosclerose). 

Um estudo de 2017 reuniu descobertas de 19 estudos que examinaram a conexão entre os níveis sanguíneos de TMAO e problemas cardiovasculares graves (principalmente ataques cardíacos e derrames).

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O que diz o estudo

O estudo apresentou que essoas com os níveis mais altos de TMAO tinham 62% mais probabilidade de ter problemas cardiovasculares sérios do que aqueles com os níveis mais baixos. 

Níveis elevados de TMAO também foram associados a taxas de mortalidade mais altas. 

Além do mais, essas conexões eram independentes de fatores de risco tradicionais, como diabetes, obesidade e problemas renais. 

Isso sugere que o TMAO pode ser um novo alvo para estratégias de prevenção ou tratamento de doenças cardiovasculares.

Além disso, os metabólitos do micróbio intestinal também são conhecidos por influenciar outros fatores intimamente ligados ao risco cardiovascular, como diabetes, pressão alta e inflamação. 

Por exemplo, uma dieta rica em fibras pode estimular o crescimento de bactérias intestinais que produzem ácidos graxos de cadeia curta. 

Um intestino que inclui esses micróbios parece ajudar as pessoas com diabetes a controlar melhor o açúcar no sangue e o peso corporal.

Uma conexão de colesterol?

O estudo também apresentou que um grupo de bactérias intestinais podem quebrar o colesterol nos intestinos. 

Mas, há mais de cem anos os cientistas já sabiam que as bactérias intestinais podiam transformar o colesterol em um composto chamado coprostanol.

Porém, o que não se sabia eram espécies de bactérias faziam isso.. Assim, os pesquisadores analisaram amostras de fezes de 3.079 pessoas para caracterizar seus microbiomas intestinais e, em seguida, sequenciaram quase seis milhões de genes microbianos.

Assim, o estudo mostra que pessoas com um gene chamado de IsmA em seu microbioma excretaram até 75% menos colesterol em suas fezes do que as pessoas que não carregam esse gene bacteriano. 

Ou seja, a presença desse gene, que metaboliza o colesterol, também foi associada a níveis mais baixos de colesterol no sangue dos participantes. 

Ou seja, as descobertas ajudam a explicar porque algumas pessoas podem consumir mais colesterol em suas dietas com relativamente pouco efeito em seus níveis de colesterol no sangue.

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Cuide do seu coração!

E como mencionei já no início, são estudos recentes, mas que já trazem muita luz à relação entre saúde cardiovascular e intestinal. Ou seja, um intestino saudável também ajuda seu coração.

Portanto, como ainda são estudos, é claro que é necessário mais pesquisas para comprovações. Mas, fica claro que uma dieta balanceada, baseada em vegetais, proporcionam uma boa saúde intestinal.

E isso por si só já é bom para o corpo humano. E também pode ser muito boa para o seu coração.

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